terça-feira, 23 de abril de 2013

Bem nutrido


Meu primeiro contato com a leitura aconteceu muito cedo, nem me recordo a idade, mas minhas primeiras lembranças são de minha mãe deitada em sua cama, lendo livros que sempre traziam em suas capas casais muito bonitos e aparentemente apaixonados. Eram aqueles vendidos em bancas de jornais: Sabrina, Bianca, entre outros. Recordo-me que vê-la lendo e seu interesse pela leitura me dava até uma certa angústia por não saber ler e não ter a oportunidade de descobrir o que a deixava tão satisfeita. Enquanto isso, meu pai com suas coleções de gibis do "Fantasma" fazia minha imaginação voar alto quando lia as aventuras incríveis vividas pelo herói.  
Já na escola, minha primeira professora reservava um tempo ao final da tarde e lia trechos da obra de Monteiro Lobato. Após a leitura a turma comentava as aventuras das personagens e isto nos trazia a sensação de identificação e pertencimento à obra. 
Posso afirmar que a paixão pela leitura de pessoas queridas me estimularam a ser uma leitora apaixonada também e ler para mim é o mesmo que Marilena Chaui diz em seu depoimento: "a descoberta de si mesmo". Quando leio e reconheço a mim em determinado pensamento sou invadida por um sentimento prazeros
o de surpresa: "Como não pensei nisso antes?" "Sinto/Penso a mesma coisa". "É isso que eu tentava dizer ou entender". 
Quando Antonio Candido fala de leitura como uma necessidade básica do ser humano é assim que entendo, ler é ampliar o próprio mundo, é reconhecer-se como parte deste mundo, é saber-se acompanhado em seus sentimentos, ideias, vivências. Ler é ver-se através de outros olhos, sentir por outros corações, expressar-se por palavras tão alheias e ao mesmo tempo tão nossas. E como disse Anna Verônica Mautner, "Ainda bem que poetas existem.", senão como explicar a nós mesmos "tantos sentimentos, tão humanos"?


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